Reportagem apresenta mensagens de WhatsApp e comprovantes de Pix relacionados a um grupo de engajamento político em 2024; João Campos se manifestou sobre o caso nesta quinta-feira (10).
Uma reportagem do Metrópoles publicada nessa quarta-feira (9) aponta a existência de um grupo de WhatsApp no qual participantes recebiam pagamentos para realizar comentários nas redes sociais favoráveis à governadora Raquel Lyra (PSD) e críticos a João Campos (PSB).
Segundo a publicação, mensagens e comprovantes de Pix indicam pagamentos de R$ 75 por semana aos participantes. As transferências teriam sido realizadas pela advogada Maria Eduarda Lucena, conhecida como Duda.
Duda afirmou ao portal que, em 2024, foi procurada por uma pessoa ligada ao prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro (PSD), aliado de Raquel, para desenvolver o trabalho de engajamento nas redes sociais.
O material analisado pela reportagem reúne orientações enviadas entre julho e dezembro daquele ano. Em algumas mensagens, a advogada cobrava participação nas ações e informava sobre os pagamentos. Segundo o Metrópoles, integrantes que não cumprissem as tarefas poderiam ser retirados do grupo ou receber valores menores.
Também havia orientações para a utilização de corações roxos, símbolo associado à militância da governadora. Em uma das publicações examinadas pelo portal, 30 dos 86 comentários indicados terminaram com o símbolo.
A advogada, no entanto, negou ter determinado ataques contra João Campos. Segundo ela, nunca houve orientação para que integrantes do grupo fizessem comentários contra qualquer pessoa.
Novo grupo em 2026
Outro ponto da reportagem envolve a atual campanha eleitoral. Duda afirmou ao Metrópoles que teria sido procurada novamente, desta vez por integrantes da equipe de Raquel Lyra, para criar um novo grupo de WhatsApp em 2026.
Segundo a advogada, a participação nesse novo grupo seria voluntária e sem pagamento. Duas pessoas ouvidas pela reportagem disseram que a estrutura foi criada em agosto.
A publicação também cita relações profissionais entre pessoas que participaram dos grupos e a empresa de apostas Aposta Ganha, onde Duda trabalhou entre janeiro de 2024 e junho de 2026.
A Aposta Ganha negou qualquer financiamento de atividade político-eleitoral e afirmou que não apoia nem financia campanhas, partidos ou candidatos. A empresa também negou ter contratado pessoas para fazer manifestações nas redes sociais a favor ou contra grupos políticos.
O Metrópoles informou que procurou Raquel Lyra por diferentes canais e solicitou entrevista. Segundo a reportagem, a assessoria da governadora respondeu que ela não concederia entrevista.
João Campos reage
Nesta quinta-feira (10), João Campos comentou as revelações e classificou o caso como grave. O candidato afirmou que já vinha denunciando a existência do que chama de um “gabinete do ódio” voltado a atacá-lo nas redes sociais.
“Isso é muito grave. Não dá pra colocar isso embaixo do tapete”, afirmou João, que questionou quem estaria financiando a estrutura e se haveria recursos públicos envolvidos.
O candidato disse ainda que já moveu ações judiciais contra pessoas relacionadas aos episódios e informou que uma nova medida foi protocolada nesta quinta-feira. João defendeu que a polícia investigue os fatos e que a Justiça analise eventuais responsabilidades.
“Não vale tudo na política”, afirmou.




