Vida amorosa não é prioridade para mais de 90% delas
Uma nova pesquisa sobre a relação das mulheres com o mercado de trabalho revelou um cenário que ajuda a entender as prioridades femininas no Brasil de hoje. O estudo, conduzido pela Consultoria Maya, com apoio da empresa de educação corporativa Koru, foi divulgado neste sábado (7) e ouviu cerca de 200 profissionais — mulheres cis, trans e pessoas não binárias — de todas as regiões do país.

O principal desejo é autonomia financeira. Quase 37% das participantes colocaram esse objetivo em primeiro lugar. A diretora da Consultoria Maya, Paola Carvalho, avalia que o financeiro ocupa o topo da lista porque é algo que engloba uma série de aspectos da vida dessas mulheres.
“A gente não está falando da cifra em si, a gente tá falando de desigualdade salarial, que impede a mulher de avançar, de violência doméstica, porque ela fica em casa em relacionamentos por não ter essa independência financeira. Então é interessante a gente trazer esse destaque para a autonomia financeira, porque quando falamos de dinheiro, falamos de várias questões que passam pelo cotidiano das mulheres brasileiras”.
Em seguida, aparecem a saúde mental e física, com pouco mais de 31%, e a realização profissional, mencionada por 23%. Já a vida amorosa ficou bem atrás, sendo prioridade para menos de 8% das entrevistadas. A bancária Karine Ferreira é um desses exemplos.
“Toda mulher sempre quer um parceiro do lado. Mas, nos últimos anos, esse interesse vem diminuindo, e hoje não procuro nenhum parceiro. Eu estou sozinha já há oito anos e não tenho interesse em estar me relacionando, mesmo porque vemos muito feminicídio na televisão e no noticiário e, realmente, não tenho esse interesse no momento”.
Os dados sobre mercado de trabalho para as mulheres mostram que a maioria ocupa cargos de analista ou colaboradora, enquanto apenas uma pequena parcela chega aos postos de diretoria. E, nos últimos dois anos, quase metade permaneceu no mesmo cargo, com muitas sendo preteridas em promoções.
Outro aspecto é que mais da metade das entrevistadas acredita não ter as mesmas oportunidades de crescimento que os homens onde trabalham. E quase 73% afirmam já ter enfrentado algum de preconceito por serem mulheres. Comentários sexistas, falas sobre aparência, interrupções em reuniões, apropriação de ideias e questionamentos sobre capacidade técnica são algumas das situações relatadas.
Sobre os maiores desafios no mercado de trabalho, o principal mencionado foi equilibrar a família e a carreira, especialmente porque grande parte das respondentes é mãe. Outros desafios citados incluem saúde mental e abusos.




