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A eleição mais disputada da história

Eleição decidida por um punhado de votos exige perdedores capazes de reconhecer a derrota e vencedores capazes de entender que não ganharam um cheque em branco

Meio a meio. O Datafolha desta quinta cravou o que nenhuma pesquisa havia mostrado desde o primeiro turno: Lula e Flávio Bolsonaro empatados numericamente nos votos válidos. Nos votos totais, 47% a 46% para o senador. Uma semana antes, eram 47% a 45%. Brancos e nulos somam 5%; indecisos, 2%. A margem de erro é de dois pontos. O ponteiro se mexeu um único ponto, e mesmo assim mudou a manchete.

A Meio/Ideia vai na mesma direção: Flávio com 48% dos votos totais, Lula com 46%. Em votos válidos, 51,1% a 48,9%. Com margem de 2,5 pontos, empate técnico com vantagem numérica de Flávio. Mas o dado mais importante está em outra pergunta. 83,7% dizem que o voto já está decidido. Outro jeito de ler, mais importante a essa altura: sobram 16,3% que admitem mudar. Isso quer dizer que se o resultado de domingo for bem diferente, para qualquer lado, não será necessariamente um erro da pesquisa. A possibilidade de mudança está lá.

É importante se atentar ao momento da decisão. Perguntados sobre quando de fato escolheram seu voto no primeiro turno, 4,1% disseram ter decidido na véspera. 5,2%, no próprio dia. Impressionantes 9,3%, na hora de votar, diante da urna. Quase um em cada cinco eleitores só escolheu quando já não havia pesquisa capaz de captar a escolha. Esse detalhe é substancial. Um lembrete inequívoco de que, na eleição, soberano é o eleitor.

E aí surge um problema. Eleição decidida por um punhado de votos exige perdedores capazes de reconhecer a derrota e vencedores capazes de entender que não ganharam um cheque em branco. Quem subir a rampa em janeiro vai governar sem aprovação de metade do país, diante de um Congresso que conhece essa aritmética melhor que ninguém. Cada reforma vai custar mais caro. Cada concessão, também.

Quem perde por pouco sempre encontra um motivo: a máquina pública, a pesquisa, a urna, o tribunal, a rede social. Domingo saberemos quem governa. Mas haverá alguém com grandeza para reconhecer a legitimidade do adversário?

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Edenilson Gonçalves
Edenilson Gonçalves
Radialista profissional DRT 1309. Tem mais de 35 anos de experiência em locução comercial e cerimonial, nome consagrado no rádio pernambucano. Baiano e paulistano, trabalhando como jornalista, radialista, redator, produtor, editor, repórter, apresentador, palestrante e consultoria política e empresarial. O rádio sempre será o maior veiculo de comunicação do mundo. o verdadeiro companheiro do povo Brasileiro
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