Mudança na dinâmica de forças ganhou novo capítulo em derrota do posicionamento do decano sobre prisão de familiares de Daniel Vorcaro
Os desdobramentos do caso Master formaram uma nova rede de apoio em torno do ministro André Mendonça na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), colegiado em que o decano da Corte, Gilmar Mendes, mantém há anos o protagonismo.
A mudança na dinâmica de forças ganhou mais um capítulo na semana passada, quando o voto de Mendonça para manter na cadeia o pai de Daniel Vorcaro foi seguido pelos ministros Luiz Fux e Nunes Marques, derrotando o posicionamento de Gilmar, que defendeu a prisão domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica.
O julgamento de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, era visto no Supremo como um teste da atual correlação de forças. Ministros observavam que Nunes Marques detinha o voto potencialmente decisivo. Caso ele acompanhasse Gilmar, haveria empate, o que resultaria na domiciliar.
O magistrado, no entanto, acompanhou Mendonça, o relator, assim como na manutenção da prisão de Felipe Vorcaro, primo do banqueiro — o decano votou pela soltura nesse caso, com medidas como a proibição de falar com investigados.
Troca de farpas
A mudança ocorre em um espaço que historicamente funcionou como um dos centros de disputa entre alas do Supremo, o que se acentuou na Operação Lava-Jato. Foi no colegiado que Gilmar protagonizou alguns dos embates contra os métodos utilizados pela força-tarefa de Curitiba e pelo então juiz Sergio Moro.
Ao lado de integrantes como o ex-ministro Ricardo Lewandowski e, posteriormente, Dias Toffoli, formou maiorias que resultaram em decisões envolvendo delações premiadas, prisões preventivas e investigações da Lava-Jato. O grupo se consolidou como um contraponto à força-tarefa, e o relator, ministro Edson Fachin, hoje presidente da Corte, frequentemente ficava vencido.




