Moradores flagram diariamente carros-pipa sendo abastecidos na COMPESA para vender água, enquanto a companhia não dá informações e dependem da própria sorte para garantir o mínimo para beber, cozinhar e manter a higiene

OURICURI (PE) — Há mais de 60 dias, a água deixou de chegar às torneiras de diversos bairros de Ouricuri, no Sertão de Pernambuco. Renascença, Centro, Santo Antônio e Santa Maria estão entre as localidades mais citadas pelos moradores, que descrevem uma rotina de espera que não termina. Segundo os relatos, nem depois de longos períodos o abastecimento é retomado.

A situação tem provocado revolta, preocupação e desespero entre as famílias, privadas do recurso mais elementar para cozinhar, tomar banho, lavar roupas e manter a higiene das casas. O que mais indigna os moradores é a contradição que se vê nas ruas: enquanto as torneiras permanecem secas, os carros-pipa continuam abastecidos e circulando pela cidade para vender água. Segundo os moradores, os caminhões são flagrados diariamente sendo abastecidos nas instalações da própria COMPESA.
A população questiona como há água disponível para a comercialização e não há para o abastecimento regular das residências. Quem tem condições financeiras acaba pagando por essa água, com peso considerável no orçamento de famílias que já precisam dar conta de alimentação, energia elétrica e gás de cozinha. Para quem não pode pagar, resta improvisar, pedir ajuda a vizinhos e contar com a sorte.
O impacto já chegou às salas de aula. De acordo com pais e membros da comunidade escolar, estudantes têm deixado de assistir às aulas porque faltam nas escolas condições mínimas de funcionamento, incluindo água para beber. Com a interrupção das atividades, crianças e adolescentes acumulam prejuízos pedagógicos em plena reta final do ano letivo, e o problema, antes restrito às residências, passa a comprometer também o direito à educação.

Os moradores afirmam que, ao longo de todo esse período, a Companhia Pernambucana de Saneamento (COMPESA) não apresentou nenhuma explicação sobre as causas da interrupção, nenhum cronograma de normalização e nenhuma medida emergencial voltada às comunidades mais atingidas. Diante dos relatos de que os carros-pipa são abastecidos todos os dias na própria companhia, a população cobra explicações sobre os critérios dessa liberação e quer entender por que há água para encher os caminhões destinados à venda, mas não para chegar às torneiras das casas.
Os moradores querem saber o que está sendo feito para resolver a situação e quando poderão voltar a contar com água dentro de casa.
Passar mais de dois meses sem água, dependendo de alternativas que nem todos conseguem custear, é uma realidade que não pode ser tratada como normal.
A água não é luxo, mas condição básica de saúde, de dignidade e de sobrevivência. Enquanto as respostas não chegam, as famílias de Ouricuri seguem sem saber até quando terão de conviver com esse sofrimento.
O espaço permanece aberto para manifestação da Compesa.




