Destituído pelo Congresso após colapso de banco, ex-presidente do Paraguai Santiago Peña depôs neste sábado (7) sob escolta
O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi levado ao gabinete do procurador-geral do país para prestar depoimento neste sábado (7) poucas horas depois de ter sido destituído pelo Congresso em razão do colapso do Ueno Bank. O Banco Central informou que trabalha para indenizar centenas de milhares de pessoas que ficaram sem acesso às suas contas nesta semana.
Peña chegou ao complexo do Ministério Público em um veículo preto, escoltado por policiais. Ele vestia calça azul-marinho e camisa branca e não estava algemado.
Na sexta-feira (6), promotores paraguaios ordenaram a prisão de Peña e do ex-presidente do Banco Central Carlos Carvallo como parte de uma investigação criminal por suposta quebra de confiança e outros delitos ligados ao colapso do Ueno Bank. Peña foi transferido para uma base militar no fim da sexta-feira, enquanto centenas de manifestantes se reuniam do lado de fora de sua residência.
A ordem de prisão foi emitida logo após o Senado destituir Peña do cargo por unanimidade. A decisão veio apenas três dias depois de reguladores terem assumido o controle do Ueno Bank, congelando o acesso de quase 3 milhões de clientes às contas e desencadeando uma crise política.
Peña foi substituído pelo vice-presidente Pedro Alliana, que começou a nomear um novo gabinete neste sábado. O Banco Central disse que 1,2 milhão de clientes do Ueno já receberam reembolso parcial ou integral de depósitos segurados, conforme a legislação paraguaia.
Parlamentares acusaram Peña de usar sua influência política para direcionar centenas de milhões de dólares em recursos públicos ao Ueno enquanto reguladores teriam ignorado empréstimos internos arriscados. Peña nega irregularidades.
A destituição de um aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marca a maior crise política no Paraguai em mais de uma década. O país, sem saída para o mar e com 6 milhões de habitantes, voltou ao regime democrático em 1989. Desde então, tem sido governado majoritariamente pelo conservador Partido Colorado.
Peña apresentou renúncia na quinta-feira (5), mas o Congresso não a aceitou e levou adiante um julgamento de impeachment.




