Em tempos de consolidação da extrema direita e de tensões políticas acirradas, o limite entre a divergência de opiniões e a ameaça velada à integridade física parece ter se dissolvido na rotina do país por conta da selvageria bolsonarista. Um episódio alarmante e emblemático desse cenário de ódio irracional veio à tona com um relato do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. O magistrado revelou que uma funcionária de uma companhia aérea manifestou o desejo de matá-lo, direcionando a declaração hostil diretamente a um agente da Polícia Judicial que o acompanhava
O caso, que expõe o nível de contaminação política que atinge prestadores de serviços essenciais, acendeu um alerta vermelho sobre a segurança de autoridades e do público em geral nos aeroportos brasileiros e em outros ambientes públicos.
Ocorrido no momento em que os procedimentos de embarque do ministro eram realizados, a funcionária da empresa aérea, ao identificar o nome de Flávio Dino no bilhete de passagem, não escondeu a sua contrariedade ideológica e, de forma impulsiva, verbalizou o ataque ao policial que fazia a segurança do integrante da Suprema Corte.
“Uma funcionária de uma empresa aérea, ao olhar um cartão de embarque com meu nome, manifestou a um agente de polícia judicial a vontade de me xingar. Em seguida se ‘corrigiu’: disse que seria melhor MATAR do que xingar. Como não a conheço, nem ela me conhece, é claro que tais manifestações derivam de minha atuação no STF“, relatou Dino.
A gravidade do ato reside no fato de partir de alguém encarregado de garantir o cumprimento de protocolos rígidos de aviação. Embora o ministro tenha optado por não expor a identidade da trabalhadora ou a bandeira da companhia aérea envolvida, ele enfatizou que o problema transcende a sua esfera estritamente individual.




